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'Dark Horse': Produtora e Diretor divergem sobre custos do filme

'Dark Horse': Produtora e Diretor divergem sobre custos do filme
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Divergência entre produção e direção sobre orçamento de 'Dark Horse'

A produtora Karina Gama, da empresa GoUp, e o diretor Cyrus Nowrasteh apresentaram versões conflitantes acerca dos gastos totais do filme 'Dark Horse', longa-metragem que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As discrepâncias emergiram publicamente durante investigações conduzidas pela Polícia Federal, revelando inconsistências na contabilização dos recursos investidos na produção cinematográfica.

Enquanto o diretor sustenta que o orçamento já executado engloba despesas de distribuição e marketing, a produtora argumenta que tais custos foram contabilizados separadamente e não integram o total declarado. Esta divergência fundamental coloca em evidência questões sobre a transparência financeira do projeto e a origem dos recursos utilizados para sua realização.

Posicionamento do diretor Cyrus Nowrasteh sobre os valores

Em postagem realizada na rede social X na última quinta-feira, Cyrus Nowrasteh qualificou os números divulgados para a produção de 'Dark Horse' como "ridiculamente inflados". O diretor argumentou que a comparação estabelecida pela imprensa brasileira apresentava falhas metodológicas importantes, principalmente ao confrontar orçamentos que incluem custos de marketing com aqueles que contemplam exclusivamente gastos de produção.

"Os números divulgados para o custo do filme são ridiculamente inflados. Eles incluem custos projetados de marketing para 'Dark Horse'. Marketing e publicidade para um filme frequentemente excedem os custos de produção. Nos EUA, não combinamos os dois, como fazem no Brasil", declarou o diretor em sua mensagem inicial.

Esclarecimento posterior do diretor sobre metodologia de cálculo

Percebendo possíveis distorções em sua declaração anterior, Cyrus Nowrasteh retornou à rede social no dia seguinte para esclarecer sua posição. O diretor reafirmou que a comparação de custos realizada pelos veículos de comunicação brasileiros careça de fundamentação apropriada.

"Muitos tentaram distorcer meu comentário. Apenas para esclarecer: a comparação de custos que a imprensa brasileira tem feito é falha. Nos EUA, os orçamentos de produção são reportados sem os custos de marketing. A cifra de 'Dark Horse', citada na cobertura jornalística, no entanto, já inclui marketing. Comparar uma cifra de produção mais marketing contra custos de produção sozinhos é simplesmente equivocado", explicou.

Versão apresentada pela produtora Karina Gama

Quando contatada pela reportagem, a produtora Karina Gama comunicou que aproximadamente US$ 13 milhões já foram desembolsados com a produção de 'Dark Horse'. Conforme seu relato, este montante não engloba as despesas denominadas "P&A" (publicidade e arrecadação), que correspondem aos gastos com distribuição, divulgação e marketing do filme.

De acordo com Karina Gama, os recursos foram aplicados nas etapas de "desenvolvimento, soft pré, pré-produção, filmagem e pós-produção". A produtora ressaltou que serão necessários investimentos adicionais para as fases de distribuição e divulgação cinematográfica. Esta distinção entre custos de produção e custos de marketing representa um ponto de tensão na narrativa apresentada pelos responsáveis pela obra cinematográfica.

Investigações sobre origem dos recursos financeiros

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal, que tornaram-se públicas nos últimos dias, o banqueiro Daniel Vorcaro repassou a quantia de US$ 12,3 milhões conforme solicitação do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. As transferências ocorreram em sete parcelas distribuídas entre janeiro e setembro de 2025, de acordo com informações obtidas junto aos relatórios do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf).

A Polícia Federal prossegue investigando se existiram outras modalidades de pagamento relacionadas ao financiamento de 'Dark Horse'. Os investigadores também apuram se a totalidade dos recursos foi efetivamente destinada à produção cinematográfica ou se houve desvios para outras finalidades, como sustentação da permanência de Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, nos Estados Unidos.

Resistência em compartilhar documentação nos EUA

A maior proporção dos dispêndios com a realização de 'Dark Horse' ocorreu nos Estados Unidos, ainda que o filme tenha sido integralmente filmado no Brasil. Mike Davis, sócio de Karina Gama e responsável pela operação americana da GoUp, manifestou-se através de correspondência eletrônica afirmando não autorizar o repasse de documentos da empresa armazenados em território norte-americano para as autoridades brasileiras sem formalização apropriada.

"Conforme orientação de nossos advogados nos Estados Unidos, informo que, na minha condição de sócio majoritário da GOUP Entertainment LLC, não autorizo o encaminhamento, às autoridades brasileiras ou a quaisquer terceiros, de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais da empresa custodiados nos Estados Unidos sem a estrita observância do devido processo legal norte-americano", afirmou Michael Davis, produtor da Go Up Entertainment LLC.

Elenco e contexto cinematográfico

O filme 'Dark Horse' conta com participação do ator norte-americano Jim Caviezel, que assume o papel de ex-presidente Jair Bolsonaro na produção. A obra representa um projeto cinematográfico de considerável envergadura em termos de investimento e complexidade produtiva, refletindo a magnitude dos recursos alocados para sua realização.

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