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EUA e Irã negociam trégua em Doha após ataques militares

EUA e Irã negociam trégua em Doha após ataques militares
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/28/eua-e-ira-entram-em-acordo-para-interromper-ataques-e-retomar-dialogo-apos-acoes-militares.ghtml

Acordo entre EUA e Irã marca pausa nas hostilidades

Os EUA e Irã negociam trégua após dias de intensas operações militares que elevaram significativamente as tensões no Oriente Médio. Conforme informou a agência Axios neste domingo (28), ambas as nações concordaram em interromper os ataques recentes no Golfo Pérsico e reabrir canais diplomáticos, numa tentativa de preservar um acordo de paz provisório que se encontrava à beira do colapso.

A decisão de retomar negociações marca um ponto de inflexão crucial no conflito que se intensificou desde 28 de fevereiro. Os EUA e Irã negociam trégua representa uma oportunidade de desescalada após semanas de trocas de ataques que ameaçavam desencadear uma guerra em larga escala na região mais volátil do planeta.

Encontro diplomático agendado para Doha

De acordo com autoridades de Washington, os dois países planejam se reunir na terça-feira (30) em Doha, no Catar, para prosseguir as conversas mediadas. Uma fonte sênior do governo americano confirmou à Reuters que a interrupção das operações militares foi acordada, sinalizando uma disposição de ambas as partes em buscar soluções através do diálogo.

A reunião em Doha ocorre em contexto de extrema fragilidade diplomática. Ainda que um memorando de entendimento de 14 pontos tenha sido assinado para normalizar a situação, os últimos dias revelaram a dificuldade em manter o cessar-fogo provisório acordado em 17 de junho.

Escalada de ataques precede o acordo

Os ataques recentes começaram quando um projétil iraniano atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira (25). Tanto Washington quanto Teerã acusaram mutuamente de violar o cessar-fogo provisório, gerando uma espiral de retaliações que colocou em risco a estabilidade regional.

No domingo de manhã, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã confirmou o lançamento de mísseis e drones contra instalações militares americanas no Kuwait e Bahrein, logo após o presidente Donald Trump ameaçar a eliminação da liderança iraniana caso não cumprissem os termos do acordo.

Trump afirmou nas redes sociais: "Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de agir com razoabilidade e seremos forçados a concluir militarmente a tarefa que iniciamos com tanto sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!"

Defesas aéreas ativadas em resposta

O Exército do Kuwait informou que suas defesas aéreas responderam aos ataques com mísseis e drones, conseguindo interceptar dois projéteis balísticos sem registro de danos ou vítimas. No Bahrein, as sirenes foram acionadas em duas ocasiões, com autoridades relatando danos a uma residência na província de Muharraq, também sem vítimas fatais.

Uma autoridade americana confirmou que o Irã visava instalações dos EUA na região, mas negou relatos significativos de perdas materiais ou humanas, ressalvando que a situação permanecia em desenvolvimento e poderia sofrer mudanças.

Israel continua operações contra Hezbollah

Paralelamente aos desenvolvimentos envolvendo americanos e iranianos, Israel prosseguiu com operações militares no Líbano neste domingo, atacando infraestruturas do Hezbollah em vilarejos do sul do país. A ação ocorreu poucos dias após um novo acordo de cessar-fogo haver sido firmado na sexta-feira para acalmar combates na região.

Segundo autoridades israelenses, foram destruídas estruturas subterrâneas utilizadas pelo grupo apoiado pelo Irã, numa continuação de operações que começaram no sábado (27). O Irã argumentou que esses conflitos devem ser resolvidos para que o acordo mais amplo seja mantido com estabilidade.

Fragilidade diplomática e desconfiança mútua

O acordo de paz provisório visava interromper combates e reabrir o Estreito de Ormuz, a rota de transporte energético mais crucial do mundo, enquanto prosseguiam negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano. Teerã manteve amplamente fechada essa passagem estratégica durante o conflito.

Indicador da fragilidade do acordo, o Irã cancelou conversas técnicas agendadas para o domingo, citando ataques recentes e descumprimento de condições estabelecidas no memorando de entendimento. Um membro do gabinete de preservação das obras do líder supremo iraniano afirmou: "Por exemplo, uma das razões é verificar se temos acesso aos fundos descongelados; se não houver acesso, então essa condição não foi cumprida".

Negociações mediadas anteriores

Uma rodada de negociações mediada liderada pelo vice-presidente americano JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, foi realizada na Suíça há uma semana. Washington suspendeu sanções contra Teerã naquele momento, porém os combates foram retomados e intensificados posteriormente.

A Guarda Revolucionária Islâmica declarou que operações americanas violaram o cessar-fogo e resultariam "na interrupção completa de todos os processos diplomáticos", conforme divulgado pela emissora estatal Press TV. O comando naval da organização iraniana advertiu que as bases americanas na região "viverão um inferno nos próximos dias".

Vítimas e consequências humanitárias

O Bahrein solicitou ao Conselho de Segurança da ONU uma sessão de emergência para responsabilizar o Irã pelos ataques. Separadamente, o Catar informou sobre a morte de um cidadão após sofrer ferimentos causados por estilhaços a bordo de uma embarcação desaparecida no sábado, com uma segunda pessoa também ferida. O Ministério do Interior qatariano atribuiu o incidente a "operações militares na região" sem especificar responsáveis.

Perspectivas para a negociação

O acordo agora alcançado representa uma oportunidade crítica para evitar uma escalada que poderia comprometer a estabilidade do Oriente Médio. O encontro em Doha será fundamental para determinar se as duas potências conseguem manter o diálogo aberto e avançar em soluções que abordem as questões nucleares, energéticas e de segurança regional que permanecem no cerne do conflito.

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