Idosos ampliam acesso à internet para 74,5% em 2025

Idosos ampliam acesso à internet para 74,5% em 2025
O acesso à internet idosos atingiu patamares significativos em 2025, conforme revelou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira. Os brasileiros com 60 anos ou mais consolidaram seu crescimento na utilização de tecnologias digitais, evidenciando uma transformação notável no comportamento da população mais velha frente às plataformas online. Esse movimento representa uma mudança estrutural na sociedade brasileira, onde a inclusão digital ultrapassa barreiras geracionais.
Crescimento expressivo entre a população com 60 anos
A proporção de usuários de internet entre idosos apresentou elevação considerável, passando de 70,1% em 2024 para 74,5% em 2025. Essa variação de 4,4 pontos percentuais em apenas um ano demonstra a velocidade da adoção tecnológica nesse segmento. Quando comparado ao ano de 2019, o progresso é ainda mais impressionante: houve um aumento de 29,6 pontos percentuais, indicando uma transformação profunda na relação dos idosos com a internet ao longo dos últimos seis anos.
De acordo com o IBGE, esse crescimento pode ser atribuído à evolução nas facilidades de uso das tecnologias e à sua maior disseminação no cotidiano da sociedade brasileira. A simplificação das interfaces, a criação de aplicativos mais intuitivos e a ampliação da infraestrutura de conectividade contribuem significativamente para que o público sênior se sinta mais confortável ao acessar plataformas digitais.
Comportamento divergente entre gerações
Enquanto os idosos ampliavam sua presença digital, crianças de 10 a 13 anos apresentaram movimento contrário. Essa faixa etária constituiu a única população a registrar queda tanto no uso de internet quanto no acesso a celulares. Entre as crianças, o uso da internet diminuiu de 84,9% para 84,4% entre 2024 e 2025, uma redução de 0,5 pontos percentuais. Embora modesta, essa queda representa uma ruptura em uma tendência de crescimento contínuo que vinha sendo observada em anos anteriores.
Quanto aos dispositivos móveis, o padrão se repetiu: o uso de celulares entre crianças de 10 a 13 anos caiu de 56,7% para 55,2% no mesmo período. Essa redução de 1,5 pontos percentuais sinaliza possível mudança nas políticas de acesso de menores aos aparelhos e nas preocupações parentais com segurança digital.
Razões para não utilizar internet e celulares
Entre os idosos que não acessam a internet, os principais motivos relatados foram a falta de necessidade (33,8% dos casos) e preocupações com privacidade ou segurança (30,3% dos casos). Esses dados indicam que, apesar do crescimento expressivo, ainda existem barreiras atitudinais e relacionadas à confiança que impedem que todos os idosos utilizem plataformas digitais.
Já entre as crianças que não possuem celulares, a preocupação com privacidade e segurança apareceu como razão preponderante. Essa constatação reflete a conscientização crescente de pais e responsáveis sobre os riscos associados ao uso de dispositivos móveis por menores, incluindo exposição a conteúdo inadequado, cyberbullying e questões de privacidade de dados pessoais.
Panorama geral do uso de internet no Brasil
Considerando toda a população brasileira com 10 anos ou mais, o uso de internet atingiu 90,5% em 2025, representando aproximadamente 168,7 milhões de pessoas. Esse percentual reflete um aumento em comparação ao índice de 89,2% registrado em 2024, confirmando a tendência de expansão da conectividade no país.
Principais atividades realizadas na internet
As atividades mais frequentes entre usuários de internet incluem fazer chamadas de voz ou vídeo, com taxa de 95,3%, seguida por trocar mensagens de texto, voz ou imagens (90,2%), e assistir a vídeos (89,3%). O uso de redes sociais alcançou 84,9% dos usuários, enquanto ouvir músicas, rádio ou podcasts foi reportado por 83,7% deles. Esses dados evidenciam que a internet no Brasil é utilizada primordialmente para comunicação e entretenimento.
Um dado particularmente relevante é que 98,7% dos usuários de internet acessam a rede exclusivamente ou principalmente pelo celular, consolidando o smartphone como principal porta de entrada para o universo digital brasileiro.
Redução da desigualdade entre áreas urbanas e rurais
A pesquisa do IBGE também revelou progresso significativo na redução das disparidades de conectividade entre zonas urbanas e rurais. As áreas urbanas continuam liderando em termos de acesso à internet, mas a diferença em relação às áreas rurais diminuiu substancialmente ao longo dos anos. Em 2016, essa diferença era de 37,5 pontos percentuais, reduzindo-se para apenas 8,5 pontos percentuais em 2025. Essa convergência demonstra que políticas e investimentos em infraestrutura digital estão contribuindo para democratizar o acesso à internet em todo o território nacional.
Reflexões sobre o futuro da inclusão digital
Os dados apresentados pelo IBGE pintam um quadro complexo da inclusão digital brasileira. Se por um lado celebram-se avanços significativos na adoção de tecnologias por gerações mais velhas, por outro lado surgem preocupações legítimas sobre o uso equilibrado e seguro de dispositivos por crianças. A sociedade brasileira segue em transição, buscando aproveitar os benefícios da conectividade enquanto protege seus membros mais vulneráveis dos riscos associados ao ambiente digital.




