Moraes arquiva caso contra ex-diretores da PRF por bloqueio eleitoral

Arquivamento da investigação contra ex-diretores da PRF
O ministro Alexandre de Moraes, integrante da Corte Suprema, decidiu pelo arquivamento de uma apuração envolvendo três ex-diretores da PRF acusados de tentar, durante o pleito de 2022, obstruir ou impedir a movimentação de cidadãos nas urnas. A decisão sobre os ex-diretores da PRF foi fundamentada no posicionamento da Procuradoria-Geral da República.
Os beneficiados pela determinação judicial são Djairlon Henrique Moura, que exercia a função de ex-diretor de Operações; Luis Carlos Reischak Junior, que atuou como ex-diretor de Inteligência e ex-Superintendente da PRF no estado do Rio Grande do Sul; e Rodrigo Cardozo Hoppe, ex-diretor de Inteligência Substituto. Todos foram formalmente indiciados pela corporação federal em janeiro de 2025.
Acusações e investigação preliminar
Durante o processo investigativo, a corporação federal coletou evidências indicando que os indiciados teriam cometido diversos delitos. Entre as infrações apontadas estão desobediência a ordens judiciais, prevaricação, restrição ao exercício do direito fundamental do voto e participação por omissão em tentativa de abalo às instituições democráticas.
A Procuradoria-Geral da República, após análise minuciosa do dossiê, chegou à conclusão de que não existiam elementos probatórios suficientes contra os ex-diretores da PRF para prosseguimento da ação. Tal parecer serviu como base para que o magistrado do Supremo Tribunal Federal determinasse o encerramento do procedimento investigativo.
Operações questionadas nas eleições de 2022
Em 30 de outubro de 2022, durante o segundo turno das eleições presidenciais, a PRF executou operações de fiscalização que geraram questionamentos sobre sua imparcialidade. Essas ações interferiram significativamente na circulação de eleitores, particularmente nas regiões Nordeste, onde o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentava vantagem considerável nas projeções de voto em relação a Jair Bolsonaro (PL).
Horas antes do escrutínio, o então diretor-geral da PRF havia manifestado seu apoio explícito a Bolsonaro, fato que intensificou as suspeitas acerca da motivação das operações.
Ordem judicial desrespeitada
No domingo de votação, o ministro Alexandre de Moraes emitiu uma determinação para suspensão imediata das blitzes, sob ameaça de prisão do diretor-geral Silvinei Vasques, chefe da instituição durante o governo Bolsonaro. Entretanto, a corporação continuou executando as operações, descumprindo formalmente a ordem judicial.
Dados coletados à época demonstram que a PRF realizou 2.185 fiscalizações em veículos de transporte coletivo apenas no Nordeste entre 28 e 30 de outubro. Em contraste, na região Sudeste foram efetuadas apenas 571 abordagens no mesmo período, configurando uma disparidade geográfica notória que alimentou as investigações sobre possível interferência eleitoral.
Encerramento do processo e consequências
Com a decisão de arquivamento proferida pelo ministro Moraes, fundamentada no parecer da PGR, encerra-se formalmente a investigação contra os ex-diretores da PRF. O entendimento do órgão ministerial de que não havia sustentação legal para as acusações foi determinante para a conclusão do processo.
Esta resolução representa um desfecho significativo para os envolvidos, que deixam de ser objeto de perseguição penal no contexto das operações ocorridas durante as eleições de 2022. O caso permanece como parte do histórico das instituições brasileiras relacionado aos eventos daquele período eleitoral.



