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Paraguai segue com impeachment contra Peña apesar de renúncia

Paraguai segue com impeachment contra Peña apesar de renúncia
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Senado do Paraguai rejeita renúncia e mantém impeachment

O impeachment de Santiago Peña prossegue no Paraguai após o Senado ignorar oficialmente o pedido de renúncia do presidente apresentado na noite de quinta-feira. A instituição legislativa deu continuidade ao processo, marcando uma sessão extraordinária para julgar o mandatário, frustrando a estratégia presidencial de evitar o julgamento político through abandono do cargo.

A decisão do Senado representa um ponto de inflexão na crise política que assola o país desde a revelação do escândalo bancário. Apesar da carta de renúncia gravada em vídeo, na qual Peña pediu desculpas aos cidadãos prejudicados e alegou preocupação com a estabilidade nacional, a oposição conseguiu manter o impulso processual contra o presidente.

O escândalo do banco ueno e suas repercussões políticas

A origem desta turbulência política remonta ao colapso do banco ueno, instituição que encerrou operações na terça-feira (3) após o Banco Central do Paraguai iniciar liquidação compulsória. O banco, vinculado ao Grupo Vázquez, enfrentava insuficiência severa de recursos para honrar obrigações junto aos clientes.

Os números revelam a magnitude da crise: a instituição possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A falência deixou milhões de pessoas sem acesso aos próprios fundos, provocando indignação pública em escala nacional.

Santiago Peña, formado em economia, figurava como acionista do grupo proprietário do ueno até março do ano anterior. Esta conexão financeira com a instituição falida alimentou acusações de conflito de interesses, transformando-o em alvo direto das críticas da oposição e da sociedade civil.

Acusações contra o presidente e investigações

A oposição paraguaia acusa Peña de múltiplas irregularidades relacionadas ao colapso bancário. Entre as acusações estão conflito de interesses, manipulação de normas regulatórias, desvio de recursos previdenciários e favorecimento de operações ilícitas. Os críticos argumentam que o Banco Central teria encoberto problemas estruturais da instituição durante meses.

Segundo análise de especialistas em política latino-americana, a renúncia anunciada por Peña representava tentativa sofisticada de proteção jurídica. Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes automaticamente conquistam status de senadores vitalícios, conferindo foro privilegiado e proteção processual. Contudo, a Câmara dos Deputados frustrou esta estratégia ao prosseguir com o impeachment.

O que acontece agora: julgamento no Senado

O Senado do Paraguai agendou sessão extraordinária para sexta-feira (6), às 10 horas, quando Santiago Peña apresentará sua defesa no processo de impeachment. O presidente disporá de oportunidade para contestar acusações, apresentar provas documentais e argumentos jurídicos em sua defesa.

Após a apresentação da defesa presidencial, os 45 senadores votarão sobre condenação ou absolvição. Para remover Peña do cargo, são necessários mínimo de 30 votos, equivalente a dois terços da câmara alta. Se condenado, o presidente perderá simultaneamente o mandato e a condição de senador vitalício.

Sucessão presidencial e próximos passos

Em caso de condenação, Pedro Alliana, vice-presidente, assumirá automaticamente o comando do país. Seu mandato se estenderia até agosto de 2028, completando o período administrativo original de Peña. Este cenário representaria transferência de poder constitucional em contexto de grave crise institucional.

Na carta publicada quinta-feira (5), Peña afirmou disposição em colaborar com investigações judiciais para esclarecer todos os fatos relacionados ao colapso do banco ueno. Também defendeu que responsáveis por irregularidades sejam adequadamente punidos e que os clientes afetados recebam ressarcimento completo, independentemente do resultado do processo de impeachment.

O panorama político do Paraguai permanece instável, com a sociedade civil acompanhando atentamente o julgamento presidencial. A crise demonstra fragilidades institucionais profundas e questiona mecanismos de supervisão bancária no país, abrindo perspectivas para reformas regulatórias futuras.

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