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Radares de velocidade média começam testes em 8 estados brasileiros

Radares de velocidade média começam testes em 8 estados brasileiros
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Radares de velocidade média iniciam período experimental

A Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (SUROD) autorizou a realização de testes com radares de velocidade média em trechos de rodovias federais distribuídos por oito estados brasileiros. O período de experimentação foi estabelecido para pelo menos seis meses, podendo ser prorrogado conforme avaliação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O projeto busca validar a tecnologia para possível implementação em rodovias concedidas no país.

Os radares de velocidade média diferem significativamente dos equipamentos tradicionais já utilizados na infraestrutura rodoviária brasileira. Enquanto os radares convencionais medem a velocidade em um ponto específico, este novo sistema opera através de dois pontos de detecção e calcula o tempo necessário para que o veículo percorra a distância entre eles, determinando assim a velocidade média desenvolvida no trecho monitorado.

Localização dos testes por estado

Os testes se distribuem por diferentes regiões do país, abrangendo rodovias de importância estratégica. No Espírito Santo, os equipamentos estarão em trechos da BR-101/ES. Em Goiás, a BR-414/GO receberá os monitores. Mato Grosso do Sul contará com instalações na BR-163/MS.

Minas Gerais será o estado com maior quantidade de pontos de teste, incluindo trechos da BR-050/MG, BR-381/MG, BR-040/MG e BR-116/MG. O Paraná terá equipamentos nas rodovias PR-444, PR-862, BR-376/PR, BR-163/PR, BR-277/PR e PR-151.

No Rio de Janeiro, os testes abrangerão a BR-101/RJ, com especial atenção à Ponte Rio-Niterói, além de trechos da BR-116/RJ. Rio Grande do Sul contará com monitores na BR-386/RS, enquanto Santa Catarina receberá equipamentos na BR-101/SC.

Caráter exclusivamente educativo e experimental

Durante esta fase inicial, a fiscalização terá função observacional, avaliando o comportamento dos motoristas nos trechos monitorados. Importante ressaltar que neste período não haverá aplicação de multas nem registro formal de infrações de trânsito.

A ANTT enfatiza que o projeto-piloto possui caráter exclusivamente técnico, educativo e experimental. Segundo comunicado da agência, "a velocidade média registrada no trecho não poderá, por si só, gerar autuação ou penalidade" nesta etapa dos testes. Os pontos de monitoramento deverão contar com sinalização adequada informando os usuários sobre a realização do experimento.

Funcionamento da tecnologia de velocidade média

O sistema de radares de velocidade média representa uma evolução significativa na fiscalização rodoviária. Diferentemente dos equipamentos fixos convencionais, que capturam a velocidade instantânea em um local específico, este novo equipamento trabalha com dois postos de detecção estrategicamente posicionados.

O funcionamento é relativamente simples: o primeiro ponto registra a entrada do veículo, enquanto o segundo ponto registra a saída. Com essas informações, o sistema calcula automaticamente a velocidade média desenvolvida durante o percurso entre os dois pontos. Esse método oferece uma avaliação mais realista do comportamento do motorista ao longo de um trecho inteiro, não apenas em um ponto isolado.

Experiências anteriores com a tecnologia

A implementação dos radares de velocidade média não é completamente nova no contexto brasileiro. A tecnologia vem sendo testada há quase uma década em algumas rodovias concedidas.

A Eco Rodovias realiza testes com equipamentos de velocidade média na BR-050, especificamente em um trecho de 11 quilômetros na cidade de Uberaba, em Minas Gerais. Essa região foi escolhida por apresentar um índice elevado de mortes decorrentes de acidentes de trânsito. De acordo com dados fornecidos pela concessionária, o número de flagrantes caiu 22,5% quando comparados os períodos de 15 dias antes e 15 dias após uma blitz educativa realizada em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal.

Bruno Araújo Silva, gerente de operações da Eco050 e da Ecovias do Cerrado, relatou que a abordagem inicial incluía levar os motoristas para uma tenda onde recebia instruções sobre segurança no trânsito. Atualmente, o radar de velocidade média na BR-050 funciona principalmente como ferramenta para campanhas de segurança viária.

Precedentes em São Paulo

Antes de expandir para os oito estados mencionados, o Brasil já havia registrado experiências significativas com radares de velocidade média em São Paulo. Durante seis meses de testes, foram emitidas 852 mil notificações educativas em quatro pontos de fiscalização diferentes.

Assim como no caso de Minas Gerais, essas notificações em São Paulo tiveram caráter puramente educativo, sem estar acompanhadas de infrações ou multas. Um dos pontos mais ativos foi a Avenida Jacu Pêssego, localizada na Zona Leste de São Paulo, que gerou o maior volume de notificações. Embora a velocidade máxima permitida na via fosse de 50 km/h, apenas 3 quilômetros foram monitorados pelo equipamento de velocidade média.

Outros locais que receberam equipamentos em São Paulo foram a Avenida dos Bandeirantes, a Marginal Tietê e a Avenida 23 de Maio, consolidando uma base de dados significativa sobre o funcionamento da tecnologia em ambiente urbano de alta circulação.

Perspectivas futuras

O período de 180 dias poderá ser prorrogado conforme os resultados dos testes sejam avaliados pela ANTT. Essa flexibilidade permite ajustes na metodologia caso necessário. O objetivo central permanece claro: avaliar a viabilidade técnica e operacional da tecnologia para uso em rodovias federais concedidas, potencialmente transformando a forma como a fiscalização de velocidade é realizada no país.

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