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Trump solicita verificação de estrangeiros em listas eleitorais

Trump solicita verificação de estrangeiros em listas eleitorais
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/17/governo-trump-pede-que-quatro-estados-chequem-se-nao-ha-estrangeiros-nas-listas-eleitorais.ghtml

Trump solicita verificação de estrangeiros em listas eleitorais de quatro estados

A administração Trump intensifica seus esforços para questionar a integridade das eleições americanas. O secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, enviou solicitações formais às autoridades eleitorais de quatro estados para que realizem verificações de estrangeiros em listas eleitorais. O pedido ocorre em contexto de alegações infundadas sobre interferência eleitoral em pleitos anteriores.

Comunicado oficial e carta aos secretários de Estado

Em comunicado divulgado na sexta-feira (17), Mullin afirmou ter enviado correspondência oficial aos secretários de Estado da Califórnia, Nova Jersey, Nevada e Pensilvânia. Acompanhando a comunicação, o departamento encaminhou análises preliminares dos registros eleitorais desses quatro estados, com foco na identificação de possíveis não cidadãos nas listas de votantes.

Segundo o comunicado, o Departamento de Segurança Interna (DHS) relacionou uma série de possíveis violações em cada jurisdição. No entanto, a administração não forneceu evidências concretas para corroborar as alegações apresentadas. Mullin exigiu que os secretários de Estado respondessem no prazo de duas semanas e confirmassem cooperação com o DHS sobre segurança eleitoral.

Ameaças de penalidades e prisão

Durante entrevista a jornalistas, Mullin alertou que autoridades eleitorais que não implementassem as medidas solicitadas pelo departamento poderiam ser responsabilizadas. Segundo suas declarações, as consequências incluiriam multas, penalidades administrativas e, dependendo da gravidade do caso, até mesmo pena de prisão para autoridades que descumprissem as determinações.

Essa abordagem representa uma escalada significativa nas pressões do governo Trump sobre funcionários eleitorais estaduais, buscando forçar conformidade com suas demandas de verificação de estrangeiros nas listas eleitorais.

Números alegados e falta de comprovação

Mullin afirmou na rede social X que o DHS identificou mais de 250 mil possíveis não cidadãos registrados ilegalmente para votar nos quatro estados mencionados. O secretário repetiu essa alegação para repórteres, mas não detalhou os critérios técnicos ou metodológicos utilizados pelo departamento para compilar essa cifra alarmante.

A falta de transparência metodológica reforça as críticas sobre a base factual das alegações. Especialistas em segurança eleitoral questionam como o DHS chegou a esse número sem critérios explícitos e verificáveis.

Rejeição de Nevada às alegações

O secretário de Estado de Nevada, Francisco Aguilar, respondeu rapidamente refutando as alegações do DHS. Em comunicado por email, Aguilar declarou: "Podemos afirmar que, à primeira vista, refutamos essas alegações. Esses números são, na melhor das hipóteses, altamente especulativos, e o Departamento de Segurança Interna não compartilhou nada que os comprove."

Aguilar ressaltou que Nevada forneceu repetidamente informações detalhadas ao DHS sobre como o estado mantém sua lista de eleitores qualificados e as medidas de segurança implementadas para prevenir fraudes eleitorais. A defesa de Nevada demonstra que mecanismos de verificação já existem e funcionam nas jurisdições americanas.

Posição dos demais estados

Nova Jersey, Pensilvânia e Califórnia não responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre a carta enviada pelo DHS. O silêncio dessas jurisdições pode indicar cautela política ou desacordo com as premissas das alegações federais.

Pressão por legislação SAVE America Act

Mullin utilizou as alegações sobre estrangeiros em listas eleitorais para pressionar pela aprovação da legislação SAVE America Act, projeto que conta com apoio de Trump. O projeto impõe novos requisitos de identificação do eleitor e de cidadania, apesar de conclusões científicas já estabelecidas demonstrarem que a fraude eleitoral é extraordinariamente rara nos Estados Unidos.

Trump tem pressionado seus pares republicanos no Congresso a aprovar a legislação, utilizando preocupações com segurança eleitoral como justificativa política para mudanças nos processos de votação.

Contexto de alegações infundadas sobre interferência eleitoral

Na noite de quinta-feira, Trump intensificou seus esforços para tornar a segurança eleitoral questão central nas eleições parlamentares de novembro. O presidente afirmou que a China interferiu na campanha presidencial de 2020, contrariando uma avaliação da inteligência dos EUA que não encontrou evidências para sustentar essa alegação.

Essa narrativa sobre interferência estrangeira não é nova na retórica de Trump. O presidente passou anos levantando dúvidas sobre resultados eleitorais, alegando falsamente que sua derrota em 2020 para o democrata Joe Biden foi fraudulenta. Também divulgou outras alegações não comprovadas, incluindo que o voto por correspondência está repleto de fraudes, que urnas eletrônicas são não confiáveis e que o voto de não cidadãos é generalizado.

Ausência de comprovação em tribunais

Inúmeros tribunais e recontagens de votos não encontraram evidências de fraude em grande escala nas eleições de 2020. Mesmo com investigações rigorosas, nenhuma corte validou as alegações de Trump sobre manipulação eleitoral sistemática, o que contrasta fortemente com as afirmações atuais sobre estrangeiros em listas eleitorais.

Alegações sobre máquinas de votação

Durante seus comentários, Mullin afirmou que adversários estrangeiros possuem componentes vitais das máquinas de votação e podem acessar seus sistemas de financiamento. Segundo Mullin, esses atores estrangeiros poderiam alterar registros eleitorais e votos individuais. Novamente, o secretário não apresentou evidências concretas para sustentar essas alegações graves.

Não há conhecimento público de ataques bem-sucedidos por parte de países estrangeiros para manipular diretamente eleições nos Estados Unidos, segundo especialistas em segurança cibernética.

Contexto político das eleições de meio de mandato

A intensificação das alegações sobre fraude eleitoral ocorre em contexto onde os republicanos enfrentam a perspectiva de perder uma ou ambas as Casas do Congresso nas eleições de novembro. O índice de aprovação de Trump sofreu impactos pela impopular política externa e pelos altos preços da energia, questões que mobilizam eleitores.

Utilizar segurança eleitoral como tema central pode funcionar como estratégia de mobilização política para a base republicana, independentemente da comprovação factual das alegações.

Perspectivas futuras em segurança eleitoral

Mullin também anunciou que a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (Cisa) divulgará um plano atualizado de infraestrutura eleitoral dentro de 30 dias. A Cisa não respondeu imediatamente aos questionamentos sobre este plano, mantendo a incerteza sobre sua implementação e conteúdo específico.

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