Caixa e Correios em greve: impasses e impactos

Paralisação continua em seu 14º dia com negociações em andamento
A greve na Caixa e Correios atinge seu 14º dia de paralisação nesta semana, mantendo centenas de milhares de trabalhadores fora das atividades. Iniciada em 10 de setembro, a greve na Caixa e Correios representa um momento crítico nas negociações entre os sindicatos e as instituições. Enquanto isso, as duas categorias encontram-se em estágios distintos de suas respectivas negociações junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Na Caixa Econômica Federal, uma audiência de mediação pré-processual ocorre esta semana no TST, após os trabalhadores rejeitarem a terceira proposta apresentada pela instituição. Nos Correios, o tribunal retoma o julgamento do dissídio coletivo que envolve a paralisação, com sessão marcada para continuação das análises sobre o caso.
Os principais pontos de disputa na Caixa
O centro da discordância na greve na Caixa e Correios situa-se na questão do plano de assistência médica. Na Caixa, o denominado Saúde Caixa representa o principal obstáculo nas negociações atuais. Os trabalhadores demonstram resistência às mudanças propostas no modelo de custeio do plano, que entraria em vigor a partir de 2027.
A instituição financeira apresentou uma proposta que inclui o aumento de sua participação no financiamento do plano de 8% para 9%, além de instituir uma contribuição de 3,7% dos empregados, aposentados e pensionistas. Tal proposta também reduz valores de coparticipação em atendimentos de pronto-socorro e preserva o chamado pacto intergeracional.
Em assembleias realizadas para votação dessa proposta, os trabalhadores demonstraram clara rejeição. No Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, aproximadamente 59,3% dos votantes se posicionaram contrários à proposta apresentada.
Além das questões relacionadas ao plano de saúde, a Caixa propôs reajustes salariais e beneficiários. O pacote inclui reajuste equivalente ao INPC acrescido de 0,6 ponto percentual para os anos de 2026 e 2027, além de aumento de 4,6% nos benefícios em 2026.
Disputas dos Correios e suas reivindicações
Nos Correios, a situação apresenta semelhança à da Caixa no que diz respeito ao plano de saúde. Os empregados dos Correios opõem-se à reformulação proposta pela empresa no modelo de custeio do CorreiosSaúde. O receio principal é que alterações na participação da estatal aumentem os custos para servidores, aposentados e dependentes.
A campanha salarial também constitui ponto relevante de negociação. Os Correios apresentaram proposta de reajuste correspondente a 100% do INPC para salários nos anos de 2026 e 2027, bem como para os principais benefícios. Entretanto, a questão do plano de saúde permanece como um dos pontos mais controversos.
Outras cláusulas sob discussão envolvem benefícios e condições de trabalho. Entre as reivindicações dos empregados estão a restauração do adicional de 70% sobre férias e do pagamento de 200% para trabalho realizado em dias de repouso ou feriados, além de outras gratificações e benefícios específicos da categoria.
Como funcionam os serviços da Caixa durante a paralisação
A despeito da paralisação, a Caixa mantém diversos serviços operacionais através de canais alternativos. Pagamentos de contas e boletos podem ser efetuados via aplicativo móvel, internet banking, caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui. A orientação ao público é não permitir vencimento de contas por causa da greve.
Saques e movimentações de dinheiro continuam disponíveis através de caixas eletrônicos e canais digitais. O benefício do Bolsa Família segue seu calendário regular, permitindo movimentação de recursos pelo aplicativo Caixa Tem, utilização do cartão para compras e saques em lotéricas e correspondentes.
Para saques do FGTS, a maioria das modalidades pode ser solicitada via aplicativo dedicado, sem necessidade de comparecer em agências. Os trabalhadores podem indicar contas bancárias próprias para receber os valores, ainda que algumas etapas dependam de análise interna dos funcionários.
Financiamentos habitacionais podem sofrer atrasos em etapas como conferência de documentação, análise de propostas, recebimento e liberação de papéis e assinatura de contratos. O impacto varia conforme a unidade e o estágio específico do financiamento em questão.
Impactos nos serviços dos Correios
A estatal afirma manter seus serviços operacionais, adotando medidas como remanejamento de pessoal, deslocamento de veículos e operações em mutirão para preservar o fluxo de encomendas. Contudo, usuários relatam atrasos significativos, objetos sem atualização no rastreamento e problemas relacionados aos prazos de entrega.
As agências dos Correios continuam funcionando, porém a operação de tratamento e distribuição pode ser afetada conforme o índice de adesão à greve em cada localidade. O TST determinou que 80% do efetivo de Correios em cada unidade ou estabelecimento seja mantido em atividade, reconhecendo o caráter essencial do serviço postal.
Os próximos passos das negociações
Na Caixa, a negociação progride através de uma audiência de mediação pré-processual no TST, representando uma tentativa de construir acordo antes de eventual processo de dissídio coletivo. Tal procedimento não constitui julgamento formal da greve nesta etapa.
Nos Correios, o tribunal retoma análise do dissídio coletivo após os Correios apresentarem documentos adicionais relacionados ao pedido para que a greve fosse declarada abusiva. Os sindicatos receberam prazo de 48 horas para manifestação sobre esses documentos, com julgamento remarcado.
Ambas as paralisações continuam enquanto não houver acordo ou decisão que determine seu encerramento, mantendo a situação em aberto nas duas instituições.




