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Imposto Seletivo: Brasil segue padrão de 38 países ricos

Imposto Seletivo: Brasil segue padrão de 38 países ricos
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

O imposto seletivo não é exclusividade brasileira

O imposto seletivo, popularmente conhecido como "imposto do pecado", gerou intenso debate no Brasil desde seu anúncio. Porém, a implementação dessa modalidade de tributação está longe de ser uma criação exclusivamente brasileira. De acordo com estudo de 2024 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 38 países desenvolvidos, todos mantêm impostos seletivos sobre tabaco e bebidas alcoólicas.

A pesquisa da OCDE demonstra que o imposto seletivo representa uma estratégia tributária consolidada internacionalmente, adotada por nações economicamente avançadas para desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Essa abordagem vai além do simples arrecadatório, funcionando como instrumento de política pública de saúde.

Quando começa e quais produtos são afetados

A partir de fevereiro de 2025, o governo brasileiro implementará o imposto seletivo criado pela reforma tributária sobre o consumo. No primeiro momento, o objetivo declarado é manter a carga tributária atual de cada produto, sem aumentos imediatos. Contudo, setores produtivos questionam essa premissa.

No Brasil, a incidência do imposto seletivo recairá sobre bebidas alcoólicas, refrigerantes, cigarros, alguns veículos conforme nível de poluição, extração de bens minerais e loterias. As alíquotas variam significativamente conforme o tipo de produto:

Bebidas açucaradas: 2,6%; Cervejas de malte: 4,2%; Vinhos, espumantes e champanhe: 8%; Vermutes: 12%; Bebidas alcoólicas prontas para consumo acima de 8%: 16%; Rum e cachaça: 20%; Destilados como uísque, vodca e gim: 24%; Cigarros: 66,7% mais R$ 3,50 por maço.

Contexto internacional: como funciona em outros países

A OCDE confirma que combustíveis também integram a lista de produtos frequentemente submetidos ao imposto seletivo internacionalmente, embora não haja consolidação total sobre quais países aplicam essa tributação especificamente sobre combustíveis.

Relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2025 aponta que alguns países adotam tributos específicos sobre bebidas açucaradas, incluindo Reino Unido, México, Portugal e França. Essa tendência reflete preocupação global com doenças crônicas relacionadas ao consumo de ultraprocessados.

Os documentos da OCDE avaliam que o imposto seletivo serve como ferramenta para influenciar comportamentos de consumo e desestimular a aquisição de produtos com impactos negativos comprovados à saúde pública e ao meio ambiente — exatamente o objetivo declarado pela reforma tributária brasileira.

Impactos econômicos e de saúde no Brasil

A implementação do imposto seletivo brasileiro está fundamentada em dados concretos sobre os custos sociais e econômicos gerados por esses produtos. Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), citado pelo Ministério da Saúde, aponta que o consumo de álcool gerou custos de R$ 18,8 bilhões em 2019.

Desse total, R$ 1,1 bilhão correspondeu a gastos federais diretos com internações e atendimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS). Os R$ 17,7 bilhões restantes vinculam-se à perda de produtividade causada por mortes prematuras, afastamentos do trabalho, aposentadorias precoces e licenças médicas.

Quanto ao tabagismo, as doenças relacionadas geram custos indiretos de R$ 86,3 bilhões anuais no Brasil. Considerando custos diretos, o impacto econômico total atinge R$ 153,5 bilhões por ano, equivalente a 1,6% do PIB nacional. Paradoxalmente, a arrecadação federal com venda de cigarros totaliza apenas R$ 8 bilhões anuais, evidenciando desequilíbrio entre despesas sanitárias e receitas tributárias.

Para bebidas ultraprocessadas como refrigerantes, isotônicos e refrescos, o governo estimou que o tratamento de doenças associadas custa aproximadamente R$ 3 bilhões anuais ao SUS.

Preocupações do setor produtivo

Produtores nacionais afirmam que bebidas alcoólicas já suportam tributação significativa no Brasil, com impostos representando entre 40% e mais de 80% do preço final dos produtos. Conforme o setor, aumento adicional do imposto seletivo poderia reduzir margens de lucro, elevar preços ao consumidor, provocar demissões e estimular mercados ilegais.

Essa tensão entre objetivos de saúde pública e preocupações econômicas do setor produtivo configura debate central na implementação da política tributária brasileira.

Critérios especiais para veículos

O texto regulatório do imposto seletivo estabelece critérios de sustentabilidade e eficiência energética para alíquotas incidentes sobre veículos, aeronaves e embarcações. Algumas categorias de veículos terão alíquota zero, incluindo aqueles adquiridos por pessoas com deficiência, transtorno do espectro autista e motoristas profissionais em regime de aluguel (táxi), conforme condições específicas.

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