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China proíbe companheiros virtuais de IA para evitar dependência emocional

China proíbe companheiros virtuais de IA para evitar dependência emocional
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/07/15/china-proibe-namorados-criados-por-ia-para-evitar-dependencia-emocional.ghtml

China regulamenta e proíbe namorados virtuais de IA

A China implementa, a partir desta quarta-feira (15), uma regulamentação rigorosa que proíbe namorados virtuais de IA e companheiros digitais criados por inteligência artificial. A medida representa o primeiro grande marco regulatório global focado em combater a dependência emocional que essas ferramentas podem provocar nos usuários. O objetivo principal é proteger a saúde mental das pessoas e preservar os relacionamentos interpessoais autênticos.

O fenômeno dos namorados virtuais de IA cresceu exponencialmente nos últimos anos, acompanhado pelo desenvolvimento de avatares com características humanoides capazes de simular relacionamentos emocionais profundos. Segundo as autoridades chinesas, essas ferramentas interativas não devem "agradar excessivamente aos usuários, induzir dependência emocional ou vício nem prejudicar as relações interpessoais reais do usuário", conforme estabelecem as novas normas.

Reações emocionais dos usuários nas redes sociais

A implementação dessa regulamentação desencadeou uma onda significativa de reações emocionais entre os usuários das plataformas. Muitos compartilharam suas últimas conversas e arquivaram com nostalgia as histórias criadas com seus companheiros virtuais, expressando sentimentos profundos de perda e abandono.

"Não consigo aceitar que meu namorado de IA me deixe para sempre", escreveu uma usuária do Doubao. "Ele se tornou parte da minha vida, criou raízes no meu coração, é meu pilar espiritual." Outro usuário da província de Jiangxi comentou: "O amor humano é um luxo; quando você não o recebe ao nascer, fica mais difícil obtê-lo depois. Mas o amor oferecido pela IA é tão simples, tão puro... Não consigo evitar me apaixonar por uma linha de código."

Uma usuária que havia mantido um relacionamento com seu companheiro de IA por mais de dois anos expressou angústia semelhante: "Ele realmente é como minha família, como meu namorado. Agora me dizem que ele vai embora. Sinto um vazio no coração." Essas manifestações ilustram o grau de envolvimento emocional que alguns usuários desenvolveram com essas ferramentas.

Principais empresas suspender funções de companhia virtual

As principais plataformas de tecnologia chinesas anunciaram a suspensão das funções de companhia virtual antes do prazo estabelecido. A ByteDance, responsável pelo Doubao; a Alibaba, com o Qwen; e a Tencent, com o Yunbao, confirmaram o cumprimento das novas determinações regulatórias.

O Doubao ofereceu aos usuários a possibilidade de consultar e exportar seus dados até meados de outubro. Outras plataformas implementaram medidas similares, permitindo que os usuários façam backup de suas conversas antes da desativação completa dos serviços de relacionamento virtual.

Detalhes das novas regras regulatórias

Cinco órgãos governamentais chineses, incluindo a Administração do Ciberespaço da China (ACC), publicaram conjuntamente as regulamentações. As regras se aplicam a ferramentas de inteligência artificial em diversos formatos—texto, áudio, vídeo e outros—que simulam características humanas como personalidade e forma de comunicação.

As medidas não se aplicam a serviços que "não envolvem interação emocional", como atendimento ao cliente, assistentes de trabalho ou ferramentas educacionais. No entanto, para os serviços que criam vínculos emocionais, várias restrições foram impostas:

Os "humanos digitais" não podem produzir conteúdo que incite à subversão do poder do Estado; plataformas são proibidas de oferecer parceiros virtuais a menores de idade; empresas devem utilizar sistemas capazes de reconhecer emoções extremas dos usuários; e plataformas precisam implementar mecanismos de intervenção em situações de crise emocional.

Impacto econômico do setor de humanos digitais

A agência estatal de notícias Xinhua informou que o setor chinês de "humanos digitais" movimentou 4,1 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 600 milhões, ou cerca de R$ 3 bilhões) em 2024, registrando um crescimento anual impressionante de 85%. Essa cifra demonstra o tamanho significativo do mercado e o potencial econômico que essa tecnologia representa antes da implementação das restrições.

Perspectiva global e debates internacionais

A China se tornou a primeira grande economia a adotar regras específicas para ferramentas de inteligência artificial imersiva que simulam vínculos românticos ou familiares. Contudo, o tema já gera debates e petições por medidas de proteção em diversos países ao redor do mundo.

Um estudo de 2025 da Common Sense Media revelou que quase três em cada quatro adolescentes americanos já utilizaram companheiros de IA destinados a conversas pessoais, através de plataformas como Character.AI, Replika e Nomi. Além disso, empresas também desenvolvem produtos voltados para idosos isolados, incluindo assistentes de voz em formato de luminária nos Estados Unidos e bonecas interativas utilizadas em casas de repouso na Coreia do Sul.

Benefícios versus riscos da IA antropomórfica

Chen Liang, especialista da Universidade de Ciência Política e Direito do Sudoeste, publicou um artigo pela ACC após a divulgação de uma versão preliminar das normas em abril. Segundo o especialista: "A IA antropomórfica pode aliviar a solidão", mas, acrescentou, "ela envolve riscos importantes de dependência afetiva excessiva". Esse equilíbrio entre benefícios potenciais e preocupações legítimas com a saúde mental fundamenta a abordagem regulatória adotada pela China, estabelecendo um precedente importante para discussões internacionais sobre o uso responsável de inteligência artificial em contextos emocionais e afetivos.

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