Flávio justifica paternidade como preparação para cuidados

Declaração polêmica sobre paternidade e cuidados futuros
Durante evento político realizado na última quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se apresenta como pré-candidato à Presidência da República, fez uma declaração que gerou repercussão ao conectar sua decisão de ter filhas mulheres com a expectativa de receber cuidados na terceira idade. De acordo com suas palavras, a economia do cuidado feminino representa um papel fundamental na estrutura social brasileira.
"Muitas vezes, na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim, porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade", afirmou o senador durante o discurso na ocasião.
Contexto da fala e anúncio de vice-presidência
A declaração ocorreu durante cerimônia em que Flávio anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa nas eleições deste ano. O encontro reuniu diversos nomes políticos do espectro feminino, evidenciando a estratégia da campanha de aproximação com o eleitorado feminino, que representa 52,8% do total de votantes do país.
Flávio é pai de duas adolescentes, uma com 14 anos e outra com 12 anos, ambas fruto de seu relacionamento com sua esposa, Fernanda Bolsonaro, profissional da área de odontologia. A escolha de focar no aspecto do cuidado de idosos como justificativa reflete uma tentativa maior do candidato de articular questões relacionadas ao universo feminino.
A economia do cuidado como argumento político
O pré-candidato aproveitou a plataforma para desenvolver um argumento mais amplo sobre a importância econômica do trabalho feminino não remunerado. Segundo suas estimativas, caso as mulheres recebessem remuneração pelas tarefas de cuidado doméstico, familiar e com idosos, aproximadamente 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional seria agregado à economia.
"Eu tô aprendendo muito com todas vocês, a economia do cuidado, onde 8,5% do nosso PIB seria estimado se as mulheres fossem remuneradas por cuidar dos idosos, por cuidar dos filhos, por fazer outras tarefas além do seu trabalho normal", complementou Flávio durante seu discurso no evento.
Presença de figuras políticas femininas
O evento contou com a participação de mulheres que estiveram em pauta como possíveis integrantes da chapa presidencial. Entre elas, encontrava-se a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao partido Republicanos. Ambas realizaram pronunciamentos durante a cerimônia, apesar de não poderem integrar formalmente a campanha devido a questões de neutralidade partidária.
Tereza Cristina expressou sua gratidão pelo convite para atuar como vice-presidenta, mas explicou que restrições de sua legenda política a impediam de aceitar a proposta. Daniella Marques, por sua vez, defendeu a importância de políticas voltadas à proteção e ao desenvolvimento das mulheres brasileiras, argumentando que a opção por um homem como vice não necessariamente afasta o voto feminino.
Perspectivas sobre o voto feminino
De acordo com Daniella Marques, a escolha de Alfredo Gaspar, promotor de Justiça com atuação na área de segurança pública, pode ser bem recebida pelo eleitorado feminino baseado em critérios de valor e competência, não apenas em questões de gênero. "A mulher não vota só porque é mulher, ela vota em valores. Ela vai avaliar os valores do Alfredo Gaspar", afirmou a liderança do PP no Senado.
Menções à família Bolsonaro no evento
Durante seu pronunciamento, Flávio Bolsonaro também ressaltou que Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, "vai vencer" a disputa eleitoral para o Senado, representando o Distrito Federal. No entanto, Michelle não compareceu ao evento de anúncio de Alfredo Gaspar como vice, assim como também não esteve presente na convenção que oficializou a candidatura presidencial de Flávio.
A ausência de Michelle foi justificada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que afirmou estar a ex-primeira-dama "cuidando" de Jair Bolsonaro durante seu período em prisão domiciliar, reforçando, ironicamente, o tema central da discussão sobre o papel do cuidado feminino na vida familiar e política brasileira.



