Irã divulga vídeo de ataque a base dos EUA na Jordânia

Registro visual do ataque do Irã a base dos EUA divulgado pela agência fars
A agência semioficial iraniana Fars divulgou neste sábado (18) um vídeo que documenta o que seria um ataque do Irã a uma base militar americana na Jordânia. O material audiovisual apresenta imagens de mísseis caindo sobre instalações militares dos EUA, intensificando a visibilidade do confronto entre os dois países. Contudo, as informações disponibilizadas pela Fars não confirmam se a base retratada corresponde àquela onde um ataque do Irã resultou em dois militares dos EUA mortos e um terceiro desaparecido na sexta (17).
O ataque do Irã a base dos EUA representa um marco significativo na escalada de tensões militares que vem ocorrendo entre Teerã e Washington. A divulgação do vídeo pela agência iraniana evidencia a estratégia de comunicação do governo persa em documentar suas operações militares, enquanto reafirma suas capacidades ofensivas.
Destruição de aeronaves e saldo de vítimas confirmados
Conforme declaração da Guarda Revolucionária Islâmica, na sexta-feira à noite foi realizado um ataque com mísseis e drones contra a base americana de Al Azraq, na Jordânia. De acordo com fontes iranianas, a operação resultou na destruição de ao menos dois caças americanos, além de outras três aeronaves durante o bombardeio.
O Comando Central dos EUA (CentCom) confirmou a morte de dois membros das forças armadas americanas durante os confrontos ocorridos em 17 de julho. Além disso, um terceiro militar permanece desaparecido em ação. A declaração oficial do CentCom afirma que as tropas americanas e suas forças parceiras se defenderam contra ataques realizados com mísseis balísticos iranianos e drones convencionais.
Quatro integrantes das forças armadas dos EUA foram encaminhados para hospitais localizados na Jordânia após o incidente, porém foram posteriormente liberados. Outros militares que apresentavam ferimentos leves foram avaliados e retornaram às suas funções. O comando militar americano manteve sigilo quanto aos nomes dos militares mortos, feridos e desaparecidos.
Contexto da escalada entre Irã e Estados Unidos
O conflito entre Teerã e Washington intensificou-se seguindo o colapso do acordo de cessar-fogo que ambas as nações assinaram em junho. Desde o princípio da guerra, dezesseis militares dos EUA foram mortos e mais de quatrocentos e trinta ficaram feridos nas operações no Oriente Médio.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nas redes sociais que os Estados Unidos retomaram o descumprimento dos compromissos assumidos durante as negociações de paz. Khamenei qualificou a credibilidade do presidente americano como praticamente nula, enfatizando que a assinatura de acordos por parte de Washington carecia de valor real.
Neste mesmo sábado, Teerã anunciou oficialmente que estava suspendendo os compromissos estabelecidos pelos termos do cessar-fogo de junho. A decisão marca um ponto de ruptura nas já frágeis negociações diplomáticas entre os dois países.
Ataques contínuos e bombardeios recíprocos
O CentCom informou que conduziu, pela sétima noite sucessiva, operações ofensivas contra várias instalações iranianas. Os alvos incluíram postos de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armamentos e capacidades marítimas do país persa.
Por sua vez, a mídia estatal iraniana relatou que bombardeios americanos atingiram usinas elétricas e instalações de dessalinização localizadas na província de Hormozgan, no sul do Irã. A agência IRNA reportou que uma usina de dessalinização foi completamente destruída, comprometendo o abastecimento de água para aproximadamente dez mil pessoas na região.
Outra instalação de dessalinização foi danificada na estratégica ilha de Qeshm, situada no Estreito de Ormuz, importante rota de navegação internacional. Os danos às infraestruturas civis iraniana revelam a amplitude dos ataques americanos.
Expansão dos ataques iranianos para aliados americanos
Em resposta aos bombardeios americanos, o Irã lançou novos ataques contra países aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico durante o sábado. O Kuwait tornou-se alvo de múltiplos ataques iraniano, com uma usina de dessalinização sendo atingida.
As operações do Aeroporto Internacional do Kuwait foram suspensas devido às contínuas ameaças representadas por mísseis e drones lançados pelo Irã. A Guarda Revolucionária Islâmica reivindicou ter atacado um centro de apoio militar dos EUA localizado no Campo Arifjan e destruído uma instalação de radar na Base Aérea de Ali Al Salem, ambas situadas no Kuwait.
Essa expansão dos confrontos para territórios de aliados americanos demonstra o alcance crescente dos ataques iranianos e a disposição de Teerã em ampliar o escopo do conflito além das fronteiras iranianas, envolvendo diretamente os parceiros militares dos Estados Unidos na região do Golfo.




