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Lindbergh é acusado de fabricar denúncia falsa

Lindbergh é acusado de fabricar denúncia falsa
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Deputado acusado de montar esquema para forjar denúncia

A acusação de fabricar denúncia falsa contra um colega ganhou repercussão no Congresso Nacional. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) tornou-se alvo de investigação após comerciante afirmar que presenciou preparativos para criar uma falsa acusação de estupro contra Alfredo Gaspar (PL-AL).

O deputado Gaspar registrou boletim de ocorrência na Polícia Legislativa Federal em 14 de abril, relatando que havia sido procurado pelo comerciante Luiz Antônio Lopes com informações sobre o esquema. Três dias depois, a Polícia Legislativa ouviu o depoente, que forneceu detalhes sobre o suposto plano para forjar a denúncia.

Relato do comerciante sobre o esquema

De acordo com o depoimento prestado à Polícia Legislativa, Luiz Antônio Lopes afirmou ter presenciado movimentação suspeita em seu quiosque localizado em shopping na região do Rio de Janeiro. Ele teria identificado pessoas ligadas ao gabinete do deputado Lindbergh durante o que seria preparação de uma entrevista fraudulenta.

Conforme o comerciante, uma jovem integrante do grupo teria ganhado sua confiança e revelado receber pagamentos para manter a farsa em funcionamento. Os valores mencionados variavam entre R$ 2 mil e R$ 10 mil mensais, segundo o relato. Lopes também citou a participação de um assessor identificado como Lucas, aunque verificações posteriores não confirmaram pessoa com esse nome nos registros do gabinete.

Reação do deputado acusado

Lindbergh Farias nega veementemente as acusações que lhe foram dirigidas. Na segunda-feira (10), o deputado protocolou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a suspensão imediata e a nulidade completa da investigação conduzida pela Polícia Legislativa. Segundo argumentação apresentada, a investigação careceria de fundamento legal adequado.

As informações reunidas pela Polícia Legislativa foram encaminhadas ao STF, onde a relatoria do caso ficou sob responsabilidade do ministro Gilmar Mendes. O procedimento processual aguarda análise mais aprofundada antes de qualquer decisão sobre prosseguimento das investigações.

Contexto político e candidatura

Alfredo Gaspar foi anunciado como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro em 5 de agosto. O deputado possui trajetória destacada na segurança pública, tendo exercido função como procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública em Alagoas antes de sua eleição para a Câmara em 2022.

Gaspar ganhou projeção nacional ao atuar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), posição que o colocou em evidência durante discussões sobre a instituição.

Investigação sobre denúncia de estupro

Paralelamente ao conflito sobre a acusação de fabricar denúncia falsa, existe procedimento separado em andamento. A Polícia Federal recebeu solicitação para investigar Alfredo Gaspar por suspeita de estupro de vulnerável, conforme informado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Contudo, o inquérito ainda não foi aberto formalmente, aguardando solicitação de informações complementares feita pela PGR. Essa paralização indica procedimento meticuloso antes de qualquer decisão institucional sobre o tema.

Antecedentes de conflito entre os deputados

O desentendimento entre Lindbergh e Gaspar ganhou notoriedade durante sessão da CPMI do INSS. Na ocasião, o deputado petista chamou Gaspar de "estuprador", recebendo como resposta a alcunha de "bandido" do colega.

Após divulgação das acusações, Gaspar acionou a Justiça contra a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e contra o próprio Lindbergh Farias, alegando que ambos propagaram informações falsas sobre sua pessoa durante discussões públicas.

Aspecto temporal e filiação política

Merece destaque cronológico o fato de que Luiz Antônio Lopes, o comerciante que fez as denúncias sobre a acusação de fabricar denúncia falsa, filiou-se ao Partido Liberal apenas em 30 de abril, sete dias após prestar depoimento à Polícia Legislativa. A filiação ao PL foi confirmada por certidão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), abrindo questões sobre timing e motivações políticas envolvidas.

O caso permanece em investigação, com desdobramentos esperados conforme andamento das ações judiciais e procedimentos administrativos em tramitação nas instâncias competentes.

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