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STF autoriza investigação de Lulinha por tráfico de influência

STF autoriza investigação de Lulinha por tráfico de influência
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Autorização para nova investigação

O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu autorização para que a Polícia Federal abra investigação sobre possível tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, relacionado à Dataprev, empresa estatal responsável pela administração de dados sociais do governo federal e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Esta decisão representa a segunda autorização concedida pelo magistrado em poucos dias. Na quinta-feira (30), Mendonça já havia aprovado a abertura de outro inquérito para examinar a conduta do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro foi designado como relator dos procedimentos investigatórios.

Investigações múltiplas contra o filho do presidente

A Polícia Federal solicitou ao STF a abertura de inquérito para apurar se Lulinha cometeu infrações penais relacionadas a tráfico de influência e corrupção. Conforme as investigações, o suspeito teria atuado para beneficiar o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes em transações comerciais com o Ministério da Saúde e nas dependências do gabinete presidencial.

Antônio Carlos Camilo Antunes, popularmente conhecido como "Careca do INSS", figura como um dos principais investigados em desvios de aposentadorias e pensões, conforme apurações realizadas pela Polícia Federal na denominada Operação Sem Desconto.

Negócios na área de cannabis medicinal

No inquérito que examina a atuação na pasta da Saúde, a Polícia Federal suspeita que Lulinha e o "Careca" tiveram envolvimento em negócios relacionados à cannabis medicinal. O lobista tentou formalizar contrato de grande valor com o Ministério da Saúde nos anos de 2024 e 2025, visando à comercialização de medicamentos à base de canabidiol para órgãos governamentais. Contudo, o acordo não foi finalizado.

Conforme informações divulgadas em janeiro, a tentativa de fechamento do contrato milionário ocorreu durante a gestão atual do ministério. O contrato envolvia a venda de medicamentos derivados de canabidiol para o governo federal.

Defesa de Lulinha refuta acusações

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa legal de Lulinha, classificou a decisão como "lamentável". Conforme sua posição, não existem fundamentações factuais que justifiquem a abertura de qualquer tipo de inquérito contra o cliente.

"A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável. Não há qualquer fato que justifique a abertura de qualquer tipo inquérito contra o Fábio Luis. Nós vamos comprovar que não há qualquer tipo de relação, nem direta, nem indireta com qualquer tipo de irregularidade", afirmou o defensor.

O advogado caracterizou as ações da Polícia Federal como "pesca probatória", alegando ser uma estratégia de tentativa e erro. "É a velha estratégia de criar um factóide. Ao que parece, a Polícia Federal está procurando uma espécie de melhor de três, não achei aqui, vou procurar ali. Isso é fishing expedition, pesca probatória, e nos remete ao que houve de pior no nosso sistema de justiça", completou Carvalho.

Alegação de falta de provas no INSS

Segundo a defesa, a Polícia Federal teria solicitado o inquérito sobre atuação na área da Saúde justamente porque não obteve êxito em encontrar irregularidades envolvendo Lulinha nas investigações sobre fraudes do INSS.

"Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave", argumentou Carvalho.

Posicionamento do Ministério da Saúde

A pasta da Saúde emitiu nota oficial esclarecendo sua posição sobre as acusações. Conforme comunicado, o ministério não mantém e nunca manteve qualquer relação contratual com a World Cannabis ou com os acionistas mencionados nas investigações.

"Dessa maneira, nunca fez nenhum repasse de recursos públicos a eles", reafirmou o Ministério da Saúde em seu posicionamento oficial.

Intermediárias e contatos investigados

As investigações apontam que Lulinha teria atuado para que o "Careca" fosse recebido pelas autoridades do ministério. O lobista havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, com objetivo de prospectar negócios relacionados a cannabis medicinal junto ao governo federal. A empresa World Cannabis, proprietária do "Careca", seria a beneficiária desses esforços de intermediação.

A defesa de Roberta Luchsinger nega qualquer irregularidade relacionada ao contrato firmado com o lobista, afirmando categoricamente que nenhum valor foi repassado para Lulinha.

Encontro no Ministério da Saúde

No início de 2025, o "Careca do INSS" foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, conhecido como "Berger", que ocupava o cargo de secretário-executivo, posição hierarquicamente importante na administração da pasta.

Posteriormente, após deixar o ministério em 2025, Barbosa assumiu a função de chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente da República.

A Polícia Federal investiga possível tráfico de influência tanto nas dependências do Ministério da Saúde quanto no gabinete presidencial.

Resposta de Berger às investigações

Swedenberger Barbosa comunicou ao veículo de imprensa que "a agenda [com o Careca] ocorreu conforme as atribuições da sua função à época, sem que tenha havido qualquer tipo de 'orientação' para a sua realização".

"Como não houve interesse do ministério em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa, o encontro não teve nenhum desdobramento, o que evidencia sua condução técnica e afasta a tese de qualquer tipo de influência política", completou em declaração prestada em janeiro deste ano.

Viagem a Portugal e negócios questionados

Em março passado, a defesa de Lulinha confirmou em entrevista a veículo de comunicação que ele viajou para Portugal acompanhado do "Careca do INSS" em novembro de 2024.

Conforme explicado pela equipe jurídica, a viagem teve como objetivo visitar uma fábrica de medicamentos à base de canabidiol. No entanto, segundo a defesa, o deslocamento não resultou em qualquer negócio formalizado entre Lulinha e o lobista.

"Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu qualquer contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal", esclareceu o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

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