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Mapa eleitoral: perdas de Lula e avanço de Flávio em 2026

Mapa eleitoral: perdas de Lula e avanço de Flávio em 2026
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Transformações no mapa político brasileiro

O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 revelou significativas transformações no mapa eleitoral do Brasil. A análise geográfica da votação indica uma tendência preocupante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o candidato Flávio Bolsonaro (PL) amplia sua base de apoio em comparação com o desempenho de seu pai nas urnas. As mudanças regionais refletem alterações importantes no comportamento eleitoral dos brasileiros em relação ao pleito anterior.

Números que revelam a inversão de posições

Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa na liderança com 56.104.268 votos, representando 47,03% dos votos válidos. Lula, por sua vez, recebeu 53.876.617 votos, correspondendo a 45,16% do total. A diferença entre os dois candidatos atingiu 2.227.651 votos, marcando uma inversão completa em relação ao pleito de 2022.

Na eleição anterior, a situação era radicalmente oposta. Lula havia conquistado a liderança no primeiro turno com 57.259.504 votos (48,43%), enquanto Jair Bolsonaro obteve 51.072.345 votos (43,20%). A vantagem do presidente havia sido expressiva, totalizando 6.187.159 votos. Essa oscilação demonstra as profundas mudanças nas preferências eleitorais entre os dois períodos.

A queda expressiva da votação petista

De um processo eleitoral para outro, dois movimentos paralelos ocorreram simultaneamente no mapa eleitoral. Lula perdeu 3.382.887 votos em relação ao primeiro turno de 2022, representando uma queda aproximada de 6% em sua base de votantes. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro conquistou 5.031.923 votos adicionais comparado ao que seu pai havia obtido na mesma rodada eleitoral anterior.

Essa dinâmica dupla revela não apenas uma transferência de votos entre os candidatos, mas também possíveis mudanças na abstenção e no comportamento do eleitorado brasileiro. A combinação dessas forças resultou na inversão de posições e na ampliação da diferença entre os dois candidatos principais da disputa presidencial.

Estados que mudaram de lado

As transformações no mapa eleitoral não se distribuem uniformemente pelo território nacional. Flávio Bolsonaro conquistou a maioria dos votos em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula permaneceu à frente em 12 estados. Essa distribuição representa uma mudança significativa em relação à disputa de 2022, quando Lula havia vencido em um maior número de unidades federativas.

Dois estados tiveram particular relevância na inversão dos resultados: Minas Gerais e Tocantins. Ambos haviam concedido maioria ao presidente em 2022, mas passaram para Flávio Bolsonaro nesta eleição de 2026. Essas mudanças revelam fraturas importantes nas coligações eleitorais em regiões historicamente significativas para o PT.

Minas Gerais: a maior mudança em números absolutos

A transformação mais relevante em termos numéricos ocorreu em Minas Gerais, estado tradicionalmente decisivo nas eleições presidenciais brasileiras. Em 2022, Lula havia recebido 5.802.571 votos, contra 5.239.264 de Jair Bolsonaro, conferindo ao presidente uma vantagem de 563.307 votos no estado.

Na eleição de 2026, o quadro se inverteu completamente. Lula caiu para 5.188.936 votos, representando 43,33% do eleitorado mineiro, enquanto Flávio chegou a 5.777.548 votos (48,24%). A vantagem passa a ser de 588.612 votos para o candidato bolsonarista. O presidente perdeu 613.635 votos no estado, enquanto Flávio obteve 538.284 votos adicionais comparado ao seu pai, consolidando uma mudança drástica no mapa mineiro.

Tocantins: inversão menor em magnitude, mas igualmente significativa

Em Tocantins, a mudança foi menos expressiva em termos de números absolutos, porém suficiente para alterar completamente o resultado final. Lula passou de 434.303 votos em 2022 para 404.009 em 2026, registrando uma queda de 30.294 votos. O candidato bolsonarista ascendeu de 379.194 votos com Jair para 469.321 com Flávio, um incremento de 90.127 votos.

Essa combinação transformou uma vantagem petista de 55.109 votos em 2022 em uma diferença de 65.312 votos a favor de Flávio em 2026. O estado exemplifica como perdas moderadas do presidente, combinadas com ganhos significativos do lado bolsonarista, resultam em inversões electorais importantes.

São Paulo concentra as maiores perdas de Lula

A redução da votação de Lula ocorreu em todas as regiões do país, embora não uniformemente entre os estados. No cômputo geral, o presidente perdeu aproximadamente 3,38 milhões de votos comparado a 2022. São Paulo foi o epicentro dessa redução, onde o petista perdeu 984.619 votos.

No estado mais populoso do país, Flávio Bolsonaro ampliou substancialmente a votação em relação ao seu pai. Jair Bolsonaro havia recebido 12.239.989 votos em São Paulo em 2022. O filho conquistou 12.922.023 votos nesta eleição, representando 51,93% dos votos válidos, um ganho de 682.034 votos. Essa dinâmica consolida o predomínio bolsonarista em um dos maiores colégios eleitorais brasileiros.

Após São Paulo, as maiores perdas absolutas de Lula ocorreram em Minas Gerais (613.635 votos), Rio Grande do Sul (511.913 votos), Paraná (308.895 votos) e Goiás (265.843 votos). Esses estados, tradicionalmente importantes, contribuíram de forma significativa para a redução total de votos do presidente em relação a 2022.

Nordeste: reduto em encolhimento

O Nordeste permanece sendo a região de maior vantagem eleitoral para Lula, onde ele conquistou aproximadamente 21,5 milhões de votos no primeiro turno. Foi a única região em que o presidente venceu em todos os estados, enquanto Flávio Bolsonaro consolidou vitórias em todos os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Entretanto, a margem de vantagem nordestina se contraiu significativamente em relação ao pleito anterior. Em 2022, Lula havia obtido cerca de 21,75 milhões de votos nos nove estados nordestinos. Na comparação com 2026, o presidente perdeu aproximadamente 259 mil votos na região, demonstrando enfraquecimento de sua base tradicional.

Paralelamente, Flávio Bolsonaro ampliou a votação que seu pai havia conquistado no Nordeste. Em 2022, Jair Bolsonaro somou aproximadamente 8,79 milhões de votos nos nove estados. Em 2026, Flávio chegou a cerca de 10,4 milhões, representando um crescimento de aproximadamente 1,61 milhão de votos. Esse avanço bolsonarista na região histórica de força petista evidencia transformações profundas na geografia eleitoral.

Bahia como espelho das tendências regionais

A Bahia exemplifica bem os movimentos ocorridos no Nordeste como um todo. Lula permaneceu muito à frente no estado com 5.664.771 votos, representando 66,17% dos votos válidos. Porém, em comparação com 2022, quando havia conquistado 5.873.081 votos, perdeu 208.310 votos no estado.

Simultaneamente, Flávio ampliou a votação que seu pai havia obtido na Bahia. Jair Bolsonaro havia recebido 2.047.599 votos em 2022, enquanto Flávio conquistou 2.442.585 votos em 2026, um aumento de 394.986 votos. Mesmo mantendo ampla vantagem, a redução relativa da votação de Lula combinada com o crescimento bolsonarista ilustra a tendência de estreitamento das margens no estado.

Ceará e Pernambuco: perdas contínuas

No Ceará, Lula registrou queda de 23.092 votos, passando de 3.578.355 em 2022 para 3.555.263 em 2026. Em Pernambuco, a situação foi praticamente estável, com o presidente perdendo apenas 4.351 votos, passando de 3.558.322 para 3.553.971. Embora as perdas sejam pequenas em termos relativos, evidenciam uma tendência contínua de enfraquecimento das bases petistas tradicionais.

Pequenos avanços em estados minoritários

Lula registrou pequenos ganhos em número absoluto de votos em apenas oito estados: Amazonas, Sergipe, Distrito Federal, Alagoas, Amapá, Acre, Piauí e Roraima. Nenhum desses incrementos atingiu 30 mil votos, revelando margens muito reduzidas. O maior ganho ocorreu no Amazonas, onde Lula passou de 1.019.684 para 1.046.996 votos, um acréscimo de 27.312 votos.

Esses ganhos não necessariamente significaram vitória estadual para o presidente. No Distrito Federal, apesar de conquistar 26.093 votos adicionais, Flávio Bolsonaro permaneceu à frente com 51,31% dos votos válidos. No Acre e Roraima, embora Lula aumentasse sua votação absoluta, Flávio liderou com 64,56% e 71,06%, respectivamente, demonstrando a amplitude do predomínio bolsonarista nessas regiões.

Conclusão: reconfiguração do mapa político

Os dados do primeiro turno de 2026 revelam uma reconfiguração significativa do mapa eleitoral brasileiro. A perda de 3,38 milhões de votos por Lula, combinada com o ganho de 5,03 milhões de votos por Flávio Bolsonaro, transformou completamente o cenário político nacional. Dois estados mudaram de lado, e a vantagem do presidente nas regiões tradicionais encolheu. Esses números indicam dinâmicas eleitorais complexas que moldarão o segundo turno e os rumos políticos do país.

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