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Novo rejeita resultado eleitoral enquanto 27 partidos reconhecem vitória de Lula

Novo rejeita resultado eleitoral enquanto 27 partidos reconhecem vitória de Lula
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Novo mantém rejeição ao resultado eleitoral

Quase uma semana após a proclamação oficial do resultado das urnas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Novo não reconhece a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e continua questionando o resultado eleitoral. A postura do partido se destaca enquanto vinte e sete agremiações políticas já divulgaram manifestações reconhecendo legitimamente a vitória do presidente nas urnas.

O presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, publicou manifestação nas redes sociais contestando o desfecho da disputa presidencial. Ribeiro alegou uso indevido da máquina pública estatal e interferência do Supremo Tribunal Federal (STF), em referência específica à decisão do ministro Cristiano Zanin que prorrogou o horário de votação até as 19h, medida igualmente solicitada pelo PL.

Argumentos apresentados pelo partido Novo contra o resultado

Em sua declaração, o presidente do partido Novo afirmou que o resultado demonstraria ausência de democracia no país. Segundo Ribeiro, o PT teria utilizado recursos públicos de forma sem precedentes e se beneficiado de decisões do STF para permanecer no poder. O dirigente ainda mencionou três ações judiciais pendentes solicitando a cassação da chapa vencedora.

"O resultado da eleição é a prova de que o Brasil não é uma democracia. Como se não bastasse fazer uma campanha cheia de mentiras, o PT usou como nunca a máquina pública e o STF pra se manter no poder. Temos três ações pedindo a cassação da chapa de Lula. Cabe agora à Justiça cumprir seu papel, se ainda existe Justiça nesse país", declarou Ribeiro em comunicado à imprensa.

Posicionamento de outras legendas políticas

Diferentemente da postura adotada pelo Novo, expressivas 27 agremiações já manifestaram reconhecimento oficial à vitória eleitoral conquistada por Lula. Entre as siglas que reconheceram o resultado estão partidos da coligação vencedora e também agremiações de oposição, como o PL, partido do candidato derrotado Flávio Bolsonaro, além de União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democrata, Democracia Cristã (DC), UP e PSTU.

O presidente da Corte Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, designado para cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, reafirmou a segurança e normalidade do processo eleitoral. Conforme Marques, a Justiça Eleitoral cumpriu sua responsabilidade e o pleito transcorreu "dentro da mais absoluta normalidade".

Estratégia do Novo perante o cenário político

Consultado por emissora de comunicação, Ribeiro explicou que o Novo permanecerá contestando o resultado eleitoral por questões de coerência interna. O presidente do partido alegou que reconhecer a vitória contradiz as três ações judiciais que o partido mantém contra a chapa Lula-Alckmin, todas protocoladas anteriormente ao pleito.

"Não vai mudar. Primeiro porque seria contraditório a gente reconhecer a vitória de uma chapa que a gente ainda está contestando na Justiça. O Novo tem três ações contra a chapa Lula-Alckmin, todas elas ajuizadas antes da eleição", declarou o dirigente ao relatar a decisão partidária.

Internamente, a estratégia do Novo envolve apostas em possível fragmentação da coligação de direita, particularmente no interior do PL. A agremiação monitora movimentos entre apoiadores que pretendem abraçar ou rejeitar o discurso de não reconhecimento do resultado propagado por Flávio Bolsonaro após sua saída do país em direção aos Estados Unidos.

Posicionamento do partido sobre questões internas da direita

Ribeiro sinalizou que a legenda não pretende intervir em conflitos internos da direita neste momento, mas mantém as portas abertas para receber quadros políticos que se identifiquem com sua plataforma liberal e conservadora. O presidente do partido enfatizou que o Novo valoriza princípios e pessoas que compartilhem desses valores fundamentais.

"O Novo vai estar de portas abertas a todos aqueles que consideram o Novo como um partido de direita, liberal, conservador, que tem princípios, que tem pessoas decentes. O Novo vai estar sempre de portas aberta, mas nós não temos interesse em entrar em rusgas da direita nesse momento", afirmou Ribeiro em declaração sobre a postura adotada pela legenda.

Histórico de tensões internas durante a campanha

O Novo havia sinalizado suas inclinações durante a campanha presidencial de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais. Quando divulgações de áudios mostraram Flávio Bolsonaro cobrando recursos financeiros de Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, para custear documentário sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro denominado "Dark Horse", Zema foi um dos primeiros políticos a criticar a relação.

A crítica de Zema gerou desconforto dentro da agremiação, levando correligionários a exigir moderação nas declarações para não comprometer apoios em pleitos municipais em regiões como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Posteriormente, Zema modificou sua retórica para enfatizar união da direita visando "derrotar o PT", mas foi abandonado por quadros importantes ainda no primeiro turno.

Um exemplo notável foi Marcel Van Hattem, deputado que conquistou eleição para senador pelo Rio Grande do Sul. Três dias antes do primeiro turno, o parlamentar participou de transmissão ao vivo com Flávio Bolsonaro declarando que "no domingo votaria 22", número que identificava a candidatura bolsonarista.

Resultados eleitorais obtidos pelo partido Novo

Nas eleições mais recentes, o Novo elegeu dez deputados federais, três senadores e conseguiu romper a cláusula de barreira, requisito importante para acesso a recursos partidários e tempo de televisão. Romeu Zema, candidato presidencial pela legenda, finalizou em sexta colocação com apenas 326.488 votos, representando 0,27% dos votos válidos, performance inferior à conseguida por Felipe D'Avila, candidato do partido em 2022, que recebeu 559.708 votos, equivalente a 0,47% do total de sufrágio válido.

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