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Turnê de Ed Sheeran perde abridores após polêmica com Macklemore

Turnê de Ed Sheeran perde abridores após polêmica com Macklemore
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Turnê de Ed Sheeran perde artistas abridores em sequência de decisões polêmicas

A turnê de Ed Sheeran enfrenta um cenário de crise após perder todos os seus artistas abridores. O desdobramento ocorreu em cascata, começando com a expulsão de Macklemore no domingo (14) e culminando com as desistências anunciadas na terça-feira (15) por Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga. As saídas sucessivas deixam o cantor britânico com datas de apresentações agendadas até 11 de dezembro sem os apoios musicais planejados.

Saída de Macklemore marca o início da controvérsia

Macklemore foi removido da turnê de Ed Sheeran após pressão de organizações pró-Israel nos Estados Unidos. Segundo o jornal The Guardian, o rapper realizou um breve discurso no palco em 4 de setembro, durante o qual pronunciou as palavras "Free Palestine" (Palestina Livre) e manifestou solidariedade ao povo de Gaza e da Cisjordânia. A declaração gerou uma petição do Conselho Israelense-Americano pedindo sua remoção do elenco de abridores.

Em comunicado divulgado em sua conta no Instagram, Macklemore enfatizou que não é vítima, mas que as vítimas verdadeiras são os palestinos. O artista questionou a narrativa criada ao redor de sua saída e reafirmou seu compromisso com a causa palestina, escrevendo: "As vítimas são o povo palestino."

Artistas abridores declaram boicote solidário

Após a expulsão de Macklemore, os artistas confirmados para abrir apresentações de Ed Sheeran decidiram também deixar a turnê. Finneas foi o primeiro a se pronunciar, afirmando pelo Instagram que "artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão". O produtor e cantor já tinha compromissos agendados para abrir shows do britânico em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro.

Lukas Graham, outro dos abridores, publicou um comunicado defendendo o direito de falar sobre conflitos e perdas humanas. Em sua mensagem, o cantor dinamarquês argumentou: "Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer seja sua bandeira."

Perspectiva irlandesa na resposta dos artistas

Aaron Rowe e a banda Beoga, ambos de origem irlandesa, trouxeram para o debate suas experiências históricas com opressão. Rowe declarou: "Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta". A banda Beoga, que além de abrir shows também participava de trechos das apresentações de Ed Sheeran com influências da música irlandesa, publicou um comunicado identificando-se como fundadora do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina.

O grupo afirmou seu compromisso com ativismo e justiça social, relacionando sua herança como irlandeses com a luta palestina: "Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser."

Posicionamento de Ed Sheeran sobre a controvérsia

O cantor britânico não se pronunciou publicamente sobre as saídas dos artistas de sua turnê. Contudo, após a expulsão de Macklemore, Sheeran divulgou um comunicado onde afirma que a decisão partiu da promotora Messina Touring Group. O artista declarou que não é cúmplice na situação e que possui suas próprias visões sobre o conflito, mas escolhe não expressá-las publicamente.

Em suas palavras: "Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não ligo." A estratégia de Sheeran de manter silêncio público contrasta com as ações dos artistas que decidiram abandonar sua turnê por questões de princípios.

Contexto do conflito Israel-Palestina citado pelos artistas

As manifestações dos artistas ocorrem em contexto de crescente preocupação internacional com o conflito na Faixa de Gaza. Um comitê de investigação contratado pela Organização das Nações Unidas (ONU) apontou em junho que Israel alvejou crianças deliberadamente em Gaza. De acordo com a comissão, tais práticas configuram genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

O relatório da ONU revelou ainda que aproximadamente 30% dos 73 mil mortos na guerra em Gaza eram crianças, totalizando pouco mais de 20 mil vítimas menores de idade. Esses dados compõem o panorama que motivou os artistas a tomar posição pública e recusar participação na turnê de Ed Sheeran.

Impactos nas datas e presentações previstas

Com a saída completa do elenco de abridores, a turnê de Ed Sheeran enfrenta desafios logísticos e de imagem para suas datas restantes até dezembro. As apresentações em São Paulo, que contariam com Finneas, precisarão de reformulação em sua estrutura. Da mesma forma, shows que dependeriam da colaboração musical de Beoga sofrerão alterações em seu formato original.

A sequência de eventos marca um momento significativo onde artistas priorizaram posicionamento político sobre oportunidades profissionais, criando precedente raro no cenário de turnês musicais internacionais de grande escala. O desdobramento evidencia tensões crescentes entre expressão artística, ativismo político e pressões de grupos de interesse em eventos de entretenimento de massa.

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