Durigan nega avaliação de propostas sobre juros

Negativa do Ministro da Fazenda
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, refutou categoricamente que estejam sendo avaliadas propostas sobre juros, como o tabelamento da taxa Selic ou a queima de reservas cambiais para compensar eventual fuga de capitais do Brasil. A declaração surge após interlocutores presidenciais comentarem sobre um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o economista André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real.
Esclarecimentos sobre Encontro Presidencial
Segundo Durigan, a informação publicada pelo jornal O Globo sobre uma reunião entre Lula e Resende não corresponde à realidade. O ministro enfatizou que não há nenhuma agenda confirmada para esse encontro. "Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente e com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende", afirmou o titular da Fazenda durante declaração aos meios de comunicação.
Posicionamento de Mercadante
Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e histórico aliado de Lula, corroborou a posição do ministro. Mercadante foi responsável pela elaboração do plano de governo durante a campanha de 2022 e coordenou os grupos técnicos de trabalho na transição presidencial. Ele negou enfaticamente que haja qualquer discussão sobre propostas sobre juros no interior do governo.
"Não há nenhuma proposta de tabelar juros em discussão, não teve na campanha e não tem no governo. Vamos aguardar o presidente definir a equipe econômica", declarou Mercadante. O dirigente do BNDES reforçou que o governo Lula mantém seu compromisso histórico com transparência e previsibilidade da política econômica, ressaltando que o presidente ainda não finalizou a composição completa de sua equipe econômica.
Características da Proposta de André Lara Resende
André Lara Resende apresentou, em publicação de fins de setembro, uma estrutura alternativa nas relações entre as políticas fiscal e monetária, com o objetivo de reduzir a taxa Selic. A proposta sobre juros também inclui a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por estabelecer metas para um período de quatro a cinco anos.
Conforme o documento, o Banco Central se comprometeria a manter a taxa básica em um intervalo situado entre a meta de inflação (3,0%) e a taxa de crescimento nominal potencial, que corresponderia a aproximadamente 5,5% ao ano. A redução gradual dos juros ocorreria ao longo de aproximadamente doze meses até atingir a taxa de crescimento nominal potencial acrescida de um spread transitório de segurança de 2%, próximo a 7,5% ao ano.
Críticas do Economista ao Cenário Atual
Em seu texto, Resende critica veementemente a elevação contínua da taxa de juros. A taxa Selic encontra-se atualmente em 13,75% ao ano, conforme definido pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. O economista argumenta que a economia brasileira enfrenta um desafio fundamental: a taxa básica de juros extraordinariamente elevada, que possui solução clara, mas que requer superar preconceitos associados a teorias monetárias e fiscais desatualizadas.
Reações Políticas à Proposta
Gleisi Hoffmann, deputada federal pelo PT e ex-ministra das Relações Institucionais, manifestou apoio público à proposta sobre juros divulgada por Resende. A parlamentar considerou a publicação "fundamental para enfrentar a ofensiva sobre a política fiscal brasileira". Em postagem subsequente, Hoffmann criticou a reação negativa do mercado financeiro ante a possibilidade de um encontro entre Lula e Resende, afirmando que esse setor possui "DNA do autoritarismo".
A ex-ministra argumentou que é natural e virtuoso que o presidente Lula dialogue com profissionais não vinculados ao establishment financeiro. Hoffmann também reafirmou confiança de que Lula não executará aquilo que denominou como "estelionato eleitoral", evidenciando a existência de tensões internas sobre a direção da política econômica no início do novo mandato.
Contexto Político e Próximos Passos
O presidente Lula, após vencer Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais, permaneceu em repouso no Palácio da Alvorada e na Residência Oficial da Granja do Torto para recuperação e recomposição da voz. Conforme informado por Mercadante, o presidente iniciará as discussões referentes ao quarto mandato a partir de terça-feira. O processo de definição completa da equipe econômica ainda se encontra em fase de desenvolvimento, com o presidente mantendo a prerrogativa de estabelecer as responsabilidades finais.




